Iza desabafa sobre amamentação e celebra novo namoro: "Estou feliz" | GshowRecentemente, a cantora IZA emocionou muitas mulheres ao relatar em entrevista que não conseguiu amamentar sua filha porque o leite “não desceu”.

A declaração gerou identificação imediata entre milhares de mães.

Bastam alguns minutos em grupos de maternidade para encontrar relatos parecidos:

“Meu leite não desceu.”

“Meu peito continuou vazio.”

“Meu bebê chorava de fome.”

“A maternidade me disse para insistir, mas o leite nunca veio.”

Essas histórias costumam vir acompanhadas de culpa, frustração e a sensação de fracasso.

Mas existe uma informação importante que toda mãe deveria ouvir: na maioria das vezes, a dificuldade não acontece porque o corpo “não funciona”. A amamentação depende de uma complexa interação entre hormônios, parto, sucção do bebê, frequência das mamadas e apoio adequado nos primeiros dias após o nascimento.

O que é a descida do leite?

A chamada “descida do leite” recebe o nome técnico de apojadura.

Ela acontece quando a produção de leite aumenta significativamente após o parto.

Nos primeiros dias de vida, a mãe produz colostro, um líquido amarelado extremamente rico em proteínas, anticorpos e fatores de proteção para o recém-nascido.

Embora seja produzido em pequenas quantidades, o colostro costuma ser suficiente para atender às necessidades do bebê saudável nos primeiros dias.

Entre o segundo e o quinto dia após o parto ocorre a apojadura, quando as mamas se tornam mais cheias, pesadas e a produção de leite aumenta de forma importante.

Quanto tempo demora para o leite descer?

Na maioria das mulheres, a descida do leite ocorre entre 48 e 96 horas após o nascimento.

Algumas mães percebem esse processo já no segundo dia.

Outras podem apresentar um atraso e observar aumento da produção apenas após o quarto ou quinto dia.

Isso não significa necessariamente que haverá problemas com a amamentação.

A produção de leite é um processo gradual.

Antes mesmo da apojadura acontecer, o colostro já está alimentando e protegendo o bebê.

Por que o leite desce após o parto?

Durante a gestação, os seios se preparam para produzir leite.

No entanto, a placenta produz grandes quantidades de progesterona, hormônio que impede a produção abundante de leite.

Após o nascimento do bebê e a saída da placenta, ocorre uma queda brusca da progesterona.

Essa mudança hormonal permite que a prolactina comece a atuar de maneira mais intensa, estimulando a produção de leite.

É nesse momento que ocorre a apojadura.

DESCIDA do LEITE - o REFLEXO de EJEÇÃO explicado de forma surpreendente

Os dois hormônios mais importantes da amamentação

Prolactina: o hormônio que produz leite

A prolactina é responsável pela fabricação do leite materno.

Cada vez que o bebê mama, ocorre um estímulo para novas liberações desse hormônio.

Por isso, quanto mais frequentemente o bebê mama, maior tende a ser a produção de leite.

É o famoso sistema de oferta e demanda.

Ocitocina: o hormônio que faz o leite sair

Produzir leite e conseguir liberá-lo são processos diferentes.

A ocitocina é responsável pela ejeção do leite.

Ela provoca a contração das células ao redor dos alvéolos mamários, empurrando o leite para os ductos e facilitando sua saída.

É por isso que algumas mães sentem o leite “escorrer” quando ouvem o bebê chorar ou pensam nele.

Os riscos do aleitamento cruzado: entenda por que só mãe deve amamentar filho - BBC News Brasil

O estresse pode atrapalhar a amamentação?

Sim.

O medo, a ansiedade, a dor e o estresse intenso podem dificultar a liberação de ocitocina.

Nessas situações, a mãe pode continuar produzindo leite, mas ter dificuldade para ejetá-lo adequadamente.

Isso ajuda a explicar por que o apoio emocional no pós-parto é tão importante.

Uma mãe cansada, insegura e sem rede de apoio pode enfrentar desafios adicionais para amamentar.

Existem situações em que o leite realmente demora para descer?

Sim.

Alguns fatores estão associados ao atraso da apojadura:

  • Cesariana sem trabalho de parto prévio.
  • Obesidade materna.
  • Diabetes.
  • Síndrome dos ovários policísticos.
  • Hemorragia pós-parto.
  • Separação prolongada entre mãe e bebê.
  • Pega inadequada.
  • Mamadas pouco frequentes.
  • Uso precoce de fórmulas sem indicação médica.

Nesses casos, uma avaliação individualizada é importante para identificar a causa e orientar a melhor conduta.

O leite não desceu ou o bebê não estava conseguindo retirar o leite?

Essa é uma pergunta que raramente aparece nas redes sociais.

Em muitos casos, a mãe acredita que não produz leite suficiente quando, na verdade, o bebê apresenta uma pega inadequada ou uma sucção pouco eficiente.

Por isso, durante a consulta do recém-nascido, sempre reservo um momento para observar a mamada.

Avaliar a pega, a posição do bebê, a transferência de leite e o ganho de peso costuma fornecer muito mais informações do que simplesmente olhar para as mamas.

Como saber se o bebê está recebendo leite suficiente?

Os principais sinais são:

  • Ganho de peso adequado.
  • Urina clara várias vezes ao dia.
  • Boa sucção durante as mamadas.
  • Estado geral ativo.
  • Curva de crescimento satisfatória.

O comportamento do bebê isoladamente nem sempre é um bom indicador.

Muitos recém-nascidos saudáveis mamam frequentemente, especialmente durante os picos de crescimento.

A mensagem mais importante para as mães

A fala da cantora IZA trouxe à tona uma realidade vivida por muitas mulheres.

Nem sempre a amamentação acontece da forma como a mãe imaginou.

E quando surgem dificuldades, a culpa costuma aparecer antes das respostas.

Por isso, toda mãe merece acolhimento e orientação baseada em evidências científicas.

A grande maioria dos problemas relacionados à descida do leite, pega inadequada e insegurança materna pode ser identificada precocemente quando existe acompanhamento adequado nos primeiros dias de vida do bebê.

Amamentar é um processo biológico, mas também é uma habilidade que mãe e filho aprendem juntos.