/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/S/S/BEDpRASp2NOAcfRrCFtw/captura-de-tela-2026-05-07-202837.png)
A declaração gerou identificação imediata entre milhares de mães.
Bastam alguns minutos em grupos de maternidade para encontrar relatos parecidos:
“Meu leite não desceu.”
“Meu peito continuou vazio.”
“Meu bebê chorava de fome.”
“A maternidade me disse para insistir, mas o leite nunca veio.”
Essas histórias costumam vir acompanhadas de culpa, frustração e a sensação de fracasso.
Mas existe uma informação importante que toda mãe deveria ouvir: na maioria das vezes, a dificuldade não acontece porque o corpo “não funciona”. A amamentação depende de uma complexa interação entre hormônios, parto, sucção do bebê, frequência das mamadas e apoio adequado nos primeiros dias após o nascimento.
O que é a descida do leite?
A chamada “descida do leite” recebe o nome técnico de apojadura.
Ela acontece quando a produção de leite aumenta significativamente após o parto.
Nos primeiros dias de vida, a mãe produz colostro, um líquido amarelado extremamente rico em proteínas, anticorpos e fatores de proteção para o recém-nascido.
Embora seja produzido em pequenas quantidades, o colostro costuma ser suficiente para atender às necessidades do bebê saudável nos primeiros dias.
Entre o segundo e o quinto dia após o parto ocorre a apojadura, quando as mamas se tornam mais cheias, pesadas e a produção de leite aumenta de forma importante.
Quanto tempo demora para o leite descer?
Na maioria das mulheres, a descida do leite ocorre entre 48 e 96 horas após o nascimento.
Algumas mães percebem esse processo já no segundo dia.
Outras podem apresentar um atraso e observar aumento da produção apenas após o quarto ou quinto dia.
Isso não significa necessariamente que haverá problemas com a amamentação.
A produção de leite é um processo gradual.
Antes mesmo da apojadura acontecer, o colostro já está alimentando e protegendo o bebê.
Por que o leite desce após o parto?
Durante a gestação, os seios se preparam para produzir leite.
No entanto, a placenta produz grandes quantidades de progesterona, hormônio que impede a produção abundante de leite.
Após o nascimento do bebê e a saída da placenta, ocorre uma queda brusca da progesterona.
Essa mudança hormonal permite que a prolactina comece a atuar de maneira mais intensa, estimulando a produção de leite.
É nesse momento que ocorre a apojadura.
Os dois hormônios mais importantes da amamentação
Prolactina: o hormônio que produz leite
A prolactina é responsável pela fabricação do leite materno.
Cada vez que o bebê mama, ocorre um estímulo para novas liberações desse hormônio.
Por isso, quanto mais frequentemente o bebê mama, maior tende a ser a produção de leite.
É o famoso sistema de oferta e demanda.
Ocitocina: o hormônio que faz o leite sair
Produzir leite e conseguir liberá-lo são processos diferentes.
A ocitocina é responsável pela ejeção do leite.
Ela provoca a contração das células ao redor dos alvéolos mamários, empurrando o leite para os ductos e facilitando sua saída.
É por isso que algumas mães sentem o leite “escorrer” quando ouvem o bebê chorar ou pensam nele.
O estresse pode atrapalhar a amamentação?
Sim.
O medo, a ansiedade, a dor e o estresse intenso podem dificultar a liberação de ocitocina.
Nessas situações, a mãe pode continuar produzindo leite, mas ter dificuldade para ejetá-lo adequadamente.
Isso ajuda a explicar por que o apoio emocional no pós-parto é tão importante.
Uma mãe cansada, insegura e sem rede de apoio pode enfrentar desafios adicionais para amamentar.
Existem situações em que o leite realmente demora para descer?
Sim.
Alguns fatores estão associados ao atraso da apojadura:
- Cesariana sem trabalho de parto prévio.
- Obesidade materna.
- Diabetes.
- Síndrome dos ovários policísticos.
- Hemorragia pós-parto.
- Separação prolongada entre mãe e bebê.
- Pega inadequada.
- Mamadas pouco frequentes.
- Uso precoce de fórmulas sem indicação médica.
Nesses casos, uma avaliação individualizada é importante para identificar a causa e orientar a melhor conduta.
O leite não desceu ou o bebê não estava conseguindo retirar o leite?
Essa é uma pergunta que raramente aparece nas redes sociais.
Em muitos casos, a mãe acredita que não produz leite suficiente quando, na verdade, o bebê apresenta uma pega inadequada ou uma sucção pouco eficiente.
Por isso, durante a consulta do recém-nascido, sempre reservo um momento para observar a mamada.
Avaliar a pega, a posição do bebê, a transferência de leite e o ganho de peso costuma fornecer muito mais informações do que simplesmente olhar para as mamas.
Como saber se o bebê está recebendo leite suficiente?
Os principais sinais são:
- Ganho de peso adequado.
- Urina clara várias vezes ao dia.
- Boa sucção durante as mamadas.
- Estado geral ativo.
- Curva de crescimento satisfatória.
O comportamento do bebê isoladamente nem sempre é um bom indicador.
Muitos recém-nascidos saudáveis mamam frequentemente, especialmente durante os picos de crescimento.
A mensagem mais importante para as mães
A fala da cantora IZA trouxe à tona uma realidade vivida por muitas mulheres.
Nem sempre a amamentação acontece da forma como a mãe imaginou.
E quando surgem dificuldades, a culpa costuma aparecer antes das respostas.
Por isso, toda mãe merece acolhimento e orientação baseada em evidências científicas.
A grande maioria dos problemas relacionados à descida do leite, pega inadequada e insegurança materna pode ser identificada precocemente quando existe acompanhamento adequado nos primeiros dias de vida do bebê.
Amamentar é um processo biológico, mas também é uma habilidade que mãe e filho aprendem juntos.


