Cardiopatia congênita: tipos, tratamento e se tem cura - Minha Vida“Doutor… eu achei que era só uma gripe.”

Essa é uma frase que escuto com muita frequência no consultório e nos plantões pediátricos aqui em Goiânia.

A criança começou com coriza, febre e tosse. Parecia apenas mais uma virose comum da infância. Mas, alguns dias depois, veio o cansaço, a respiração rápida e o diagnóstico que assusta muitas famílias: pneumonia.

E talvez a parte mais importante desse assunto seja justamente essa: a pneumonia infantil muitas vezes começa de forma silenciosa.

Por isso, entender os sinais, saber quando procurar ajuda e aprender como prevenir faz toda diferença.


O que é pneumonia?

A pneumonia é uma infecção que acomete os pulmões. Ela provoca inflamação e acúmulo de secreção dentro do tecido pulmonar, dificultando a passagem do oxigênio.

Nas crianças, principalmente nos bebês menores de 2 anos, a pneumonia costuma surgir depois de uma gripe, bronquiolite ou outra infecção respiratória viral.

Muitas mães pesquisam no Google perguntas como:

  • “como saber se meu filho está com pneumonia?”
  • “pneumonia infantil pega?”
  • “tosse e febre podem ser pneumonia?”
  • “quando levar a criança ao pronto-socorro?”

E essas dúvidas fazem sentido. Porque os sintomas podem parecer, no começo, apenas uma virose comum.


Como acontece a pneumonia em crianças?

Imagine o pulmão da criança como pequenos “saquinhos de ar” responsáveis pela respiração.

Quando vírus ou bactérias chegam até essa região, ocorre inflamação e produção de secreção. Isso dificulta a troca de oxigênio e faz a criança respirar mais rápido.

Segundo os documentos científicos da Sociedade Brasileira de Pediatria, os vírus são os principais causadores de pneumonia em menores de 2 anos, especialmente o vírus sincicial respiratório (VSR).

Mas existe um detalhe muito importante que muitas famílias não sabem: em cerca de 30% dos casos pode acontecer uma coinfecção viral e bacteriana.

Ou seja:
a criança começa com uma gripe ou bronquiolite viral e depois desenvolve também uma pneumonia bacteriana.

Isso explica por que algumas crianças parecem melhorar e, de repente, voltam a piorar.


Quais são os sintomas de pneumonia infantil?

Os sintomas podem variar conforme a idade e a gravidade da infecção, mas os mais comuns são:

  • febre;
  • tosse persistente;
  • respiração rápida;
  • cansaço;
  • chiado ou “peito carregado”;
  • dificuldade para respirar;
  • redução do apetite;
  • sonolência;
  • gemência;
  • dor no peito ou na barriga.

E existe um sinal que merece muita atenção: a respiração acelerada.

Muitas vezes, antes mesmo da febre alta aparecer, a criança começa a respirar rápido.

No consultório, costumo explicar para as mães que elas devem observar:

  • se as costelas estão afundando;
  • se a barriga faz muito esforço para respirar;
  • se a criança parece cansada;
  • ou se está mais prostrada do que o habitual.

Quando a pneumonia é grave?

Nem toda pneumonia precisa de internação.

Muitas crianças conseguem tratamento em casa, com antibiótico e acompanhamento pediátrico adequado.

Mas alguns sinais indicam maior gravidade:

  • dificuldade importante para respirar;
  • lábios arroxeados;
  • recusa para mamar ou beber líquidos;
  • sonolência excessiva;
  • saturação baixa;
  • gemência;
  • febre persistente;
  • criança muito abatida.

Os bebês pequenos têm risco maior de complicações, principalmente menores de 2 anos.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da pneumonia é principalmente clínico, ou seja : sinais e sintomas + avaliação ( exame físico) do pediatra . Pneumonia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Isso significa que a conversa com os pais e o exame físico são fundamentais.

Muitas vezes, apenas observando a respiração da criança e auscultando o pulmão já conseguimos suspeitar da doença.

O raio-x de tórax pode ser necessário em alguns casos:

  • quando existe dúvida diagnóstica;
  • suspeita de complicação;
  • necessidade de internação;
  • ou quando a criança não melhora como esperado.

Toda pneumonia precisa de antibiótico?

Não.

Esse é um dos pontos que mais confundem as famílias.

Como muitas pneumonias são causadas por vírus ( que não são tratados com antibióticos), nem todas precisam de antibiótico.

Já as pneumonias bacterianas geralmente necessitam tratamento antibiótico adequado  – O principal agente causador é o streptococcus pneumoniae ( pneumococo).

Por isso a automedicação pode atrasar o diagnóstico correto e aumentar o risco de complicações.


Como prevenir pneumonia em crianças?

Talvez essa seja a parte mais importante deste texto.

Muitas pessoas ainda acreditam que pneumonia acontece porque a criança “tomou friagem”, ficou descalça ou pegou vento.

Mas pneumonia é causada por infecções.

E as principais formas de prevenção são:

Vacinação

As principais vacinas do bebê - Belly Home - Loja OnlineAs vacinas pneumocócicas reduziram drasticamente as internações e mortes por pneumonia infantil.

Além disso, manter atualizadas:

  • vacina contra influenza;
  • vacina contra COVID;
  • Vacinas que protegem contra doenças bacterianas graves: pneumocócica ( no SUS Pneumo 10, nas clínicas privadas Pneumo 13,15,20 – o número significa mais sorotipos da bactéria e, portanto, mais poroteção) ; Vacina Pentavalente ( contra Difteria, Tétano, Pertusis, Haemophillus influenzae – essas duas últimas bactérias podem causar pneumonia); Vacina Meningocócica C, B ou A,C,W,Y

A vacina Pneumo 10 foi incorporada em 2010 e notou-se significativa redução das internações por pneumonia. Mais recentemente os estudos científicos mostraram que há outros sorotipos dessa bactéria ( sorotipo 6 e 19A) que estão causando pneumonia grave nas crianças – necessidade de internação, derrame pleural e as vezes até abscesso pulmonar. Esses dois sorotipos não estão presentes na cobertura da vacina do SUS ( Pneumo 10), estão somente nas 3 vacinas do sistema privado ( Pnemo 13, 15 ou 20) – nesse caso vale a pena investir em vacinas particulares para ampliar a proteção contra infecções graves do pneumococo.

Recentemente houve um avanço importante no Brasil: a incorporação da vacina Pneumo 20 pelo SUS para grupos especiais e pacientes de maior risco para doença pneumocócica grave. Entre eles estão crianças imunossuprimidas, pacientes oncológicos, transplantados, pessoas vivendo com HIV, portadores de imunodeficiências, fibrose cística e algumas doenças crônicas específicas. Nesses casos, a vacinação costuma ser realizada pelos CRIEs (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais), ampliando a proteção justamente das crianças mais vulneráveis às complicações da pneumonia.

Aleitamento materno

O leite materno ajuda na proteção imunológica dos bebês, principalmente nos primeiros meses de vida.

Evitar exposição ao cigarro

A fumaça do cigarro aumenta muito o risco de doenças respiratórias.

Higienização das mãos

Especialmente em períodos de circulação intensa de vírus respiratórios.

Acompanhamento pediátrico

Muitas complicações acontecem quando a piora passa despercebida nos primeiros dias.


“Doutor, eu achei que era só uma gripe…”

Essa frase continua ecoando na minha cabeça depois de muitos anos atendendo crianças.

Porque a pneumonia raramente começa parecendo grave.

Ela começa como uma criança mais quietinha.
Uma tosse persistente.
Uma febre que não melhora.
Uma respiração um pouco mais rápida.

E muitas vezes é justamente o olhar atento dos pais que faz o diagnóstico acontecer cedo.

Se você mora em Goiânia ou região e percebe que seu filho está apresentando sintomas respiratórios persistentes, dificuldade para respirar ou febre prolongada, procure avaliação pediátrica.

O acompanhamento próximo pode evitar complicações, internações e trazer mais segurança para toda a família.


Dr. Ronaldo Moura — Pediatra em Goiânia

Atendimento pediátrico particular com foco em acompanhamento próximo, orientação às famílias e prevenção de doenças na infância.

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