Fissuras, mamilos machucados e dor para amamentar, e agora? - Pediatria Descomplicada

“Eu não sei se vou conseguir continuar amamentando.”

Essa foi uma das primeiras frases que ouvi quando uma mãe de primeira viagem entrou no meu consultório com seu bebê de apenas 15 dias de vida.

Ela parecia exausta.

Os mamilos estavam machucados, havia pequenas fissuras com sangramento e cada mamada era acompanhada por dor intensa. O que deveria ser um momento de conexão entre mãe e filho havia se transformado em ansiedade e sofrimento.

Infelizmente, essa não é uma situação rara.

Muitas mulheres pesquisam no Google termos como “dor ao amamentar”, “rachadura no mamilo”, “fissura mamária”, “bebê não pega o peito direito” ou “como corrigir a pega do bebê”. E na maioria das vezes existe uma causa comum por trás desses sintomas: a pega inadequada.

A importância da consulta do recém-nascido

Quando um bebê nasce, muitas famílias acreditam que a primeira consulta pediátrica serve apenas para avaliar peso, icterícia ( amarelão) ou vacinas. Mas existe um momento da consulta que considero um dos mais importantes.

Eu sempre peço para a mãe colocar o bebê para mamar durante o atendimento.

Por que a amamentação é tão importante? Conheça os principais benefícios e dúvidas | Blog SabinSimplesmente observar uma mamada pode revelar problemas que explicam dores, fissuras mamárias, dificuldade no ganho de peso do bebê e até a falsa sensação de pouco leite.

Naquele dia, enquanto a mãe amamentava, ficou claro o motivo do sofrimento.

O bebê abocanhava apenas o mamilo, mantendo a boca pouco aberta e sem envolver grande parte da aréola. A cada sucção, o atrito causava trauma repetitivo no mamilo.

Amamentação: Uma Pega Correta e Eficaz — UaCuida

Era uma pega incorreta.

E o mais impressionante foi que ninguém havia observado uma mamada desde o nascimento.

Como deve ser a pega correta do bebê no peito?

Uma pega adequada geralmente apresenta algumas características:

  • Boca bem aberta.
  • Lábios virados para fora.
  • Queixo encostado na mama.
  • Maior parte da aréola dentro da boca.
  • Deglutição audível durante a mamada.
  • Ausência de dor importante para a mãe.

Quando a pega está correta, a amamentação tende a ser confortável e eficiente.

Dor persistente, fissuras mamárias e sangramento não devem ser considerados normais.

Dicas sobre a amamentação – parte 3 - Vestida de Mãe

Fissura mamária: uma das principais causas de abandono da amamentação

Amamentação - mamilos gretados/fissuras - mamã tranquila

 

As fissuras mamárias são pequenas lesões na pele do mamilo que podem provocar dor intensa.

Além do desconforto físico, elas costumam gerar insegurança.

Muitas mães passam a oferecer menos o peito para evitar a dor, o que reduz o estímulo da produção de leite. Outras acabam introduzindo fórmulas infantis precocemente, acreditando que seu leite é insuficiente.

Por isso, identificar e corrigir a causa do problema rapidamente faz toda a diferença.

Nem sempre o problema é a quantidade de leite

Uma das maiores preocupações das mães é acreditar que o bebê não está satisfeito após as mamadas.

Mas muitas vezes o que parece falta de leite é consequência de uma mamada ineficaz.

Quando o bebê não consegue fazer uma boa pega, ele retira menos leite da mama, permanece insatisfeito e passa a solicitar mamadas com maior frequência.

A mãe interpreta esse comportamento como fome constante e conclui que o leite não sustenta.

Na realidade, o problema pode estar apenas na técnica da amamentação.

O que aconteceu com aquela mãe?

Após observar a mamada, ajustamos a posição do bebê, corrigimos a pega e discutimos estratégias para favorecer a cicatrização das fissuras.

Ainda durante a consulta, ela percebeu uma diferença importante.

Pela primeira vez desde o nascimento do filho, conseguiu amamentar sem sentir aquela dor intensa.

Nas semanas seguintes, as lesões cicatrizaram e a amamentação seguiu de forma tranquila.

Quando procurar ajuda para amamentar?

Procure orientação médica ou de um profissional capacitado em amamentação se você apresentar:

  • Dor persistente ao amamentar.
  • Fissuras ou rachaduras nos mamilos.
  • Sangramento durante as mamadas.
  • Dificuldade de pega do bebê.
  • Bebê sonolento que não consegue mamar adequadamente.
  • Ganho de peso insuficiente.
  • Sensação de que o bebê nunca fica satisfeito.

Quanto mais cedo essas dificuldades forem identificadas, maiores as chances de uma amamentação bem-sucedida.

Amamentação é algo natural, mas exige aprendizado e dedicação

Existe uma crença de que amamentar acontece automaticamente.

Na prática, mãe e bebê aprendem juntos.

E muitas vezes pequenos ajustes realizados nas primeiras semanas de vida evitam dores, inseguranças e até o desmame precoce.

Por isso, durante a consulta do recém-nascido, reservo um momento especial para observar a mamada, avaliar a pega e orientar a família.

Frequentemente, essa avaliação vale mais do que qualquer pesquisa feita na internet.

Se você mora em Goiânia ou região metropolitana e está enfrentando dificuldades com amamentação, fissuras mamárias, dor ao amamentar ou dúvidas sobre a pega correta do bebê, uma avaliação individualizada pode ajudar a tornar esse processo muito mais tranquilo para você e seu filho.

 

Dr Ronaldo Moura – Médico Pediatra – CRM-GO 21296/ RQE 14111

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