Você já deve ter ouvido muitos conselhos durante a gestação.

“Passe bucha no mamilo para fortalecer.”

“Compre uma pomada.”

“Seu peito é pequeno, talvez você tenha pouco leite.”

“Seu mamilo é invertido, vai ser difícil amamentar.”

Em meio a tantas opiniões, é natural que muitas gestantes cheguem ao final da gravidez inseguras e cheias de dúvidas.

Recentemente, durante uma consulta de pré-natal pediátrico, uma gestante me perguntou:

“Doutor, existe alguma forma de preparar meus seios para amamentar?”

Essa é uma excelente pergunta.

A resposta, porém, costuma surpreender.

Na maioria das vezes, preparar-se para amamentar não significa preparar as mamas.

Significa preparar a mãe.

E essa preparação começa muito antes do nascimento do bebê.


A amamentação começa antes mesmo do parto

Muitas pessoas imaginam que a amamentação tem início apenas quando o recém-nascido é colocado no peito.

Na realidade, ela começa durante a gestação.

É nesse período que acontecem importantes mudanças hormonais que preparam as mamas para produzir leite após o nascimento do bebê. Além disso, é durante a gravidez que a mulher constrói expectativas, enfrenta medos e toma decisões sobre como pretende alimentar seu filho. O processo de amamentar se inicia ainda na gestação, quando ocorre a decisão de amamentar, e continua no parto e no retorno para casa.

Por isso, informação de qualidade durante a gravidez pode fazer toda a diferença para evitar dificuldades e reduzir o risco de desmame precoce.


O tamanho da mama interfere na produção de leite?

5 Mitos “polêmicos” da amamentação – Clínica Buzzini

Essa talvez seja uma das maiores preocupações das gestantes.

“Meu peito é pequeno. Será que vou produzir leite suficiente?”

A resposta é tranquilizadora.

Não.

O tamanho da mama praticamente não determina a quantidade de leite produzida.

Mamas maiores possuem mais tecido gorduroso, mas isso não significa maior capacidade de produção de leite.

Segundo o guia, todas as mamas são capazes de amamentar, independentemente do tamanho ou formato. A produção de leite não está relacionada ao volume da mama.


É preciso fazer algum preparo nos mamilos?

Durante muitos anos era comum recomendar massagens vigorosas, uso de buchas, escovas ou até esfregar toalhas ásperas sobre os mamilos.

Hoje sabemos que essas práticas não trazem benefícios e podem até provocar lesões.

Da mesma forma, a chamada “preparação física” dos mamilos não é mais recomendada, inclusive em gestações gemelares.

O mais importante durante a gestação é:

  • manter a pele saudável;
  • evitar procedimentos traumáticos;
  • esclarecer dúvidas com profissionais capacitados.

Mamilo invertido impede a amamentação?

Outra dúvida bastante frequente é sobre o formato do mamilo.

Existem mulheres com mamilo protuso, plano ou invertido.

Embora alguns formatos possam tornar o início da amamentação mais desafiador, nenhum deles impede, por si só, que a mãe consiga amamentar.

O bebê não mama apenas no mamilo.

Na verdade, ele precisa abocanhar boa parte da aréola para conseguir retirar o leite de forma eficiente. O guia ressalta que diferentes tipos de mamilo podem exigir adaptações na técnica, mas não impedem a amamentação quando há apoio adequado.

Por isso, identificar esse tipo de característica ainda durante a gravidez permite planejar um acompanhamento mais próximo após o parto.

MAMILOS INVERTIDOS: O que é, quais são as causas, diferentes graus e como  tratar? – Dr Leo Fernandes


Conhecer a pega correta antes do nascimento faz diferença

Um dos principais motivos para dor, fissuras e dificuldade para amamentar é a pega inadequada.

Muitas mães só recebem orientações depois que o bebê já nasceu e, em alguns casos, quando as dificuldades já começaram.

Aprender ainda na gravidez como funciona uma pega correta ajuda a reconhecer rapidamente possíveis problemas.

Os principais sinais de uma boa pega incluem:

  • boca bem aberta;
  • lábios voltados para fora;
  • queixo encostado na mama;
  • maior parte da aréola dentro da boca do bebê.

Quanto mais cedo essas informações forem conhecidas, maiores as chances de uma amamentação confortável.

A importância da pega correta do bebê na amamentação - Amare Pediatria


Entenda como o leite é produzido

Durante a gestação, muitas mulheres acreditam que “o leite desce” de forma automática logo após o parto.

Na verdade, existe um mecanismo hormonal bastante sofisticado.

Após o nascimento do bebê, dois hormônios tornam-se protagonistas:

Prolactina, responsável pela produção do leite.

Ocitocina, responsável pela ejeção ou saída do leite durante a mamada.

Esses hormônios respondem diretamente ao estímulo da sucção.

Isso significa que, na maioria das situações, quanto mais o bebê mama, maior tende a ser a produção de leite.


A rede de apoio também deve se preparar

Um erro comum é imaginar que apenas a mãe precisa aprender sobre amamentação.

Na prática, o sucesso da amamentação depende muito da participação da família.

O companheiro, avós e outras pessoas próximas podem ajudar:

  • oferecendo apoio emocional;
  • auxiliando nas tarefas da casa;
  • incentivando a mãe nos momentos difíceis;
  • evitando críticas e informações sem fundamento.

No mês de agosto, celebramos o AGOSTO DOURADO e este texto é uma ação de incentivo e conscientização sobre amamentação, COMPARTILHE COM UMA MAMÃE DE PRIMEIRA VIAGEM que quer amamentar!


Vale a pena fazer uma consulta de amamentação antes do parto?

Sim.

Embora nem todas as gestantes saibam dessa possibilidade, uma consulta ainda durante a gravidez permite:

  • esclarecer dúvidas;
  • identificar fatores de risco para dificuldades na amamentação;
  • orientar sobre a primeira mamada;
  • explicar posições para amamentar;
  • ensinar os sinais de pega correta;
  • preparar toda a família para os primeiros dias do bebê.

Essa preparação reduz inseguranças e faz com que a mãe se sinta mais confiante quando o bebê nascer.


Os primeiros dias fazem diferença

As primeiras horas após o parto costumam ser decisivas.

Sempre que possível, recomenda-se que o bebê seja colocado para mamar ainda na primeira hora de vida, favorecendo o início da produção de leite e fortalecendo o vínculo entre mãe e filho.

Mesmo quando surgem dificuldades, elas geralmente podem ser superadas com orientação adequada.

Por isso, buscar ajuda precocemente é muito melhor do que esperar que o problema se resolva sozinho.


Conclusão

Preparar-se para amamentar vai muito além de comprar almofadas, bombas tira-leite ou pomadas.

A preparação mais importante acontece por meio da informação.

Entender como funciona a produção do leite, conhecer a pega correta, saber que o formato da mama não determina o sucesso da amamentação e contar com uma rede de apoio fazem toda a diferença para viver esse momento com mais segurança.

Dr Ronaldo Moura – Médico Pediatra – CRM-GO 21296/ RQE 14111