Engasgos em crianças - Pediatra Santo André e ABCPoucas situações assustam tanto uma mãe quanto a sensação de que seu bebê está engasgado.

O coração acelera, o medo toma conta e, muitas vezes, a impressão é de que não há tempo para pensar.

Recentemente, durante uma consulta, uma mãe me contou que nunca havia sentido tanto medo na vida. Seu bebê de apenas dois meses havia regurgitado após uma mamada e, por alguns segundos, pareceu ter dificuldade para respirar.

Felizmente, estava tudo bem.

Mas a experiência foi suficiente para fazê-la procurar informações sobre como prevenir engasgos e o que fazer caso uma emergência acontecesse.

Se você é mãe de primeira viagem, saiba que essa preocupação é muito comum. E a boa notícia é que muitas situações de engasgo podem ser prevenidas com medidas simples no dia a dia.

Neste artigo, vou explicar quais são os principais riscos, como evitar acidentes e quando procurar ajuda médica.


O que é engasgo?

O engasgo acontece quando algum líquido, alimento ou objeto entra nas vias respiratórias e dificulta a passagem de ar para os pulmões.

Dependendo da situação, o bebê pode:

  • Tossir;
  • Ficar inquieto;
  • Apresentar dificuldade para respirar;
  • Fazer esforço para chorar sem conseguir emitir som;
  • Ficar arroxeado;
  • Perder a consciência nos casos mais graves.

É importante lembrar que nem toda tosse durante uma mamada significa engasgo grave.

Na verdade, a tosse é um mecanismo natural de defesa do organismo.


Por que os bebês engasgam com mais facilidade?

Os recém-nascidos e lactentes ainda estão aprendendo a coordenar três funções fundamentais:

  • Sugar;
  • Engolir;
  • Respirar.

Além disso:

  • As vias aéreas são pequenas;
  • O controle da musculatura ainda está em desenvolvimento;
  • Eles exploram o ambiente levando objetos à boca conforme crescem.

Por isso, os primeiros anos de vida exigem atenção especial.


Como prevenir engasgos durante a amamentação?

A amamentação é a forma mais segura de alimentação para o bebê, mas alguns cuidados podem ajudar.

Observe a pega correta

Camila Cury Pediatra - Pediatra em Goiânia - Amamentação: saiba como é a “pega correta”

Uma pega inadequada pode dificultar a sucção e aumentar o desconforto durante as mamadas.

Alguns sinais de boa pega incluem:

  • Boca bem aberta;
  • Queixo encostado na mama;
  • Lábios voltados para fora;
  • Mais aréola visível acima da boca do que abaixo.

Evite posições inadequadas

O bebê deve ser amamentado com a cabeça alinhada ao corpo.

Evite oferecer o peito ou a mamadeira com o bebê completamente deitado.

Uma posição levemente inclinada costuma favorecer a coordenação entre sucção e deglutição.


Respeite as pausas do bebê

Alguns bebês mamam mais rápido, outros mais devagar.

Permitir pausas durante a mamada ajuda o recém-nascido a respirar adequadamente e reduz o desconforto.


O bebê pode engasgar dormindo?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios pediátricos.

Muitas famílias acreditam que colocar o bebê para dormir de lado ou de bruços evita engasgos.

Mas as evidências científicas mostram exatamente o contrário.

A posição mais segura para dormir

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e das principais entidades internacionais é clara:

Todo bebê saudável deve dormir de barriga para cima.

Essa posição reduz significativamente o risco da Síndrome da Morte Súbita do Lactente e não aumenta o risco de engasgos. Isso porque de barriga para cima ele consegue rotacionar a cabeça livremente caso regurgite. De lado, ele pode acabar de bruços se movimentando e ser impedido de se desvencilhar do vomito, podendo se afogar.

Mesmo bebês que apresentam episódios de refluxo costumam ser orientados a dormir de barriga para cima, salvo situações muito específicas avaliadas pelo médico.

Por que o bebê deve dormir de barriga para cima? - Revista Crescer | Sono


Como prevenir engasgos com mamadeira?

Se o bebê utiliza mamadeira, alguns cuidados são importantes.

Escolha o bico adequado

Um fluxo muito rápido pode fazer com que o leite saia em excesso.

O bebê pode não conseguir coordenar a deglutição adequadamente.

Nunca apoie a mamadeira

Evite deixar a mamadeira apoiada em travesseiros, almofadas ou panos.

O bebê deve ser alimentado sempre sob supervisão de um adulto.

Observe o ritmo da alimentação

Se o bebê estiver engolindo rápido demais, tossindo ou demonstrando desconforto, pode ser necessário reavaliar o bico utilizado.


Quando começam os maiores riscos de engasgo?

Embora recém-nascidos possam apresentar episódios relacionados à alimentação, os acidentes mais graves costumam ocorrer após os seis meses de idade, quando a criança inicia a introdução alimentar. O engasgo com líquidos geralmente não tem capacidade de obstrução completa de vias aéreas.

É nessa fase que os pais precisam redobrar a atenção.

CASO O ENGASGO OU OBSTRUÇÃO PARCIAL ACONTEÇA COM O BEBE SAIBA O QUE FAZER:

Passo 1: Mantenha a calma e observe o bebê

Observe se ele:

  • Está tossindo;
  • Está chorando;
  • Continua respirando;
  • Mantém a coloração normal da pele.

Se o bebê está tossindo ou chorando, isso é um bom sinal.

A tosse é o principal mecanismo de defesa do organismo para expulsar o líquido das vias respiratórias.

Passo 2: Coloque o bebê em posição mais vertical

Pegue o bebê no colo e mantenha-o:

  • Com o tronco elevado;
  • Com a cabeça levemente inclinada para frente.

Evite deixá-lo completamente deitado. Nesse momento que colocar na vertical, retire excesso de leite da boca do bebe ( caso haja)

Passo 3: Não coloque os dedos na boca

Nunca tente “pescar” o líquido com os dedos.

Isso pode:

  • Provocar vômitos;
  • Empurrar secreções para regiões mais profundas;
  • Machucar a boca do bebê.

Se houver excesso de leite ou saliva escorrendo pela boca, apenas limpe externamente com um pano limpo.

Passo 4: Aguarde a recuperação espontânea

Na maioria dos casos, em poucos segundos o bebê:

  • Tosse algumas vezes;
  • Recupera a respiração normal;
  • Volta à coloração habitual.

Quando isso acontece, não há necessidade de realizar a manobra de desengasgo.


Quando a manobra de desengasgo é necessária?

A manobra passa a ser indicada quando o bebê apresenta sinais de obstrução grave das vias aéreas, como:

  • Não consegue tossir;
  • Não consegue chorar;
  • Não consegue emitir sons;
  • Fica arroxeado;
  • Apresenta dificuldade importante para respirar;
  • Fica molinho ou perde a consciência.

Nessas situações, deve-se agir imediatamente.

Passo a passo da manobra para bebês menores de 1 ano

1. Posicione o bebê de bruços sobre seu antebraço

  • Apoie o corpo do bebê sobre seu braço.
  • Segure firmemente a mandíbula.
  • Mantenha a cabeça mais baixa que o tronco.

2. Realize 5 pancadas nas costas

  • Use a região da palma da mão.
  • Aplique 5 golpes firmes entre as escápulas.

3. Vire o bebê de frente

  • Mantendo a cabeça sempre mais baixa que o corpo.

4. Faça 5 compressões torácicas

  • Utilize dois dedos no centro do tórax.
  • Faça 5 compressões rápidas.

5. Continue alternando

5 pancadas nas costas + 5 compressões torácicas

até que:

  • O objeto seja expelido;
  • O bebê volte a respirar normalmente;
  • Chegue ajuda especializada.

6. Acione o SAMU

📞 192

Se houver outra pessoa presente, ela deve ligar imediatamente enquanto a manobra é realizada.

7. Se o bebê perder a consciência

  • Inicie reanimação cardiopulmonar (RCP) pediátrica.
  • Acione o serviço de emergência sem demora.

Objetos que devem ficar longe dos bebês

Nem todos os engasgos acontecem durante a alimentação.

Muitos acidentes ocorrem com pequenos objetos.

Tenha cuidado especial com:

  • Moedas;
  • Pilhas tipo botão;
  • Tampas de caneta;
  • Peças pequenas de brinquedos;
  • Botões;
  • Miçangas;
  • Grãos secos.

Uma regra simples ajuda bastante:

Se o objeto cabe dentro de um tubo de papel higiênico, ele pode representar risco de engasgo para uma criança pequena.


O que NÃO fazer quando o bebê engasga?

Algumas atitudes podem piorar a situação.

Evite:

  • Sacudir o bebê;
  • Colocar os dedos na boca sem visualizar um objeto;
  • Levantar o bebê pelos pés;
  • Oferecer água imediatamente após o episódio;
  • Dar tapas aleatórios nas costas sem técnica adequada.

Toda família deveria aprender a manobra de desengasgo

Mesmo tomando todos os cuidados, acidentes podem acontecer.

Por isso, uma das orientações mais importantes que faço às famílias é:

Aprenda a manobra de desengasgo antes que precise utilizá-la. Falo sobre isso no meu e-book gratuito sobre o tema, voce pode baixar no link:

https://: www.pediatragoiania.com/#ebook

Conhecer a técnica correta pode fazer diferença em uma situação de emergência.

Mães, pais, avós, babás e cuidadores deveriam saber como agir diante de um engasgo.


Quando procurar atendimento médico?

Procure avaliação médica imediatamente se após um episódio de engasgo o bebê apresentar:

  • Dificuldade para respirar;
  • Chiado persistente;
  • Tosse intensa contínua;
  • Coloração arroxeada;
  • Sonolência excessiva;
  • Febre após aspiração de alimento ou líquido.

Mesmo quando o bebê parece ter melhorado, alguns casos podem exigir observação médica.


A melhor forma de prevenir é informação

Grande parte dos acidentes envolvendo engasgos pode ser evitada com orientação adequada.

Nos primeiros meses de vida, isso inclui cuidados com a amamentação, mamadeira e sono seguro.

Após o início da alimentação complementar, passa a envolver também a escolha adequada dos alimentos, o modo de preparo e a supervisão constante durante as refeições.

Como pediatra, costumo dizer que aprender a prevenir engasgos é uma das formas mais importantes de proteger uma criança.

E quanto mais cedo a família recebe essas orientações, mais segura se sente para cuidar do bebê.

Procurando um pediatra em Goiânia?

Durante as consultas de puericultura, além de acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança, dedico um momento especial para orientar as famílias sobre prevenção de acidentes, alimentação, sono seguro, amamentação e primeiros socorros.

Se você mora em Goiânia ou região metropolitana e busca um acompanhamento pediátrico próximo e baseado em evidências científicas, agende sua consulta.

A informação certa, no momento certo, pode evitar sustos e salvar vidas.

Dr Ronaldo Moura – Médico Pediatra – CRM-GO 21296/ RQE 14111

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